Oceano sem vida

Sentado na areia onde outrora, oceano de alegrias e sorrisos, banhavam as margens de uma felicidade presente, recordo o teu olhar e beijo em memoria os teus lábios, desfrutando das tuas brincadeiras únicas, que tão especialmente me cativaram.
O aroma já não trás o tempero do sal que em tempos fazia parte deste oceano.
O aroma desvaneceu-se na tua partida.
A brisa negou-se a marcar a sua presença, pois sem ti, tudo perdeu o brilho e o encanto natural.
Escrevo-te e não me respondes.
Desejo-te, mas já não te tenho nos meus braços.
Mas guardo em mim o melhor que de ti recebi.
Estiveste presente quando envolto em tempestades, tentava conquistar outros mundos. Defendeste-me em guerras desiguais. Apoiaste-me quando outros me condenavam e apontavam.
Foste minha arma e meu escudo. Foste a minha alma e meu corpo.
Possui-te em loucura, com medo que fosse sempre o nosso último momento.
Amei-te mesmo em silêncio quando me sentias ausente.
Muitas foram as vezes que me considerei indigno do teu amor e carinho, pois maior não houvera visto nas correntes oceânicas da vida.
És o meu EU e o meu tudo.
Sem ti, sou um nada no meio do vazio que agora atrapalha no silêncio ensurdecedor da tua ausência.
Mas sei que estás bem.
Sei que continuas a olhar por mim. A proteger-me e acarinhar-me, mesmo que a minha pele, não sinta o calor do teu corpo.
Faz de mim a tua morada, pois o meu coração será sempre a tua residência oficial.
Porque neste oceano sem águas, acredito que um dia voltaremos a nadar juntos e para sempre nos amaremos sem que qualquer tempestade incontrolável se imponha.
Porque só o amor é real, como real foram todos os beijos e abraços, que em surdina demos em segredo.
O amor que nos uniu é inquebrável, mesmo na distância dos dois mundos em que vivemos agora.

Serás sempre a meio-metro, de um meio-quilo que sempre te amou.

Pedaços de Vento

As últimas palavras expressas naquela folha de papel, assinalavam as noites de desespero de quem parte e de quem fica… preso a um passado que não o abandona no presente.

"São em horas de nostalgia, que a minha alma se funde com um universo que desconheço, mas que me encontra, sempre que me perco.
O que fazer com este sentimento que não morre?
Porque não te tiro do pensamento, se do real já não fazes parte?
Porque sinto tanto a tua falta, quando a tua ausencia é o que tenho de mais presente?
As tábuas do teu caixão, pregadas pela tua mão, marcaram o adeus até ao depois.
Até ao dia em que te voltarei a ver e quem sabe a ter-te em meus braços novamente, dos quais nunca deverias ter deixado.
Seja quais forem os labirintos da vida, será sempre em ti que me encontrarei. Pode até passar uma eternidade, mas nunca te esquecerei…

Até já, meu pedaçinho do céu.
Teu Condor"