A linguagem das palavras

Durante grande parte da minha vida, faltavam-me as palavras para me poder exprimir. Desconhecia em absoluto que elas existiam, que estavam disponíveis, ao meu serviço, vivendo eu na ignorância de que podia utilizá-las em meu proveito. As palavras, como tantas outras coisas no mundo que me rodeava, a priori pertenciam aos outros, estando-lhes reservadas. Dir-se-ia que eu não tinha acesso a elas e que não tinha o direito de as usar.

Mas descobri que no silêncio da minha dor, na solidão a que me vi enclausurado, encontrei nas palavras o refugio perfeito de um harmonia almejada.

Foi preciso cair em desgraça onde nem a sombra faz companhia, que me encontrei com o verbo ser, do que fui, sou e do que deixo aos que ficam.

O meu tempo finda em avalanche. A vida corre-me em hemorragia sem cessar, mas ainda tenho tempo de dizer em palavra única, que valeu a pena viver, e descobrir a palavra Amar.

1 comentário:

  1. Anónimo7:38 p.m.

    O tempo finda, mas o amor não morre. Ainda bem que nunca encontraste as palavras. As palavras gerais. Mas aqui mostra que encontraste a palavra certa: AMAR. Que seja o tesouro que deixas à amada, porque assim o tempo não finda mais. Um beijo de uma admiradora desconhecida

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