Como qualquer divindade, o acaso tem exigências. São-lhe devidas devoções. Fazem-se devoções ao acaso estando-se na sua presença. À sua disposição. Permanentemente. Todos os sentidos em luta, os cinco conhecidos, e os não conhecidos pelo nosso mundo enfermo. De maneira a não o deixar escapar se ele ultrapassar as marcas.Todos nós alguma vez ficámos espantados e perplexos, sensibilizados ou mesmo confundidos pela força duma coincidência, pelo encontro surpreendente e inesperado, às vezes explosivo, de dois fenómenos ou de duas palavras ou de dois seres que supostamente jamais se deveriam ter encontrado e reunido neste mundo, cheio de improbabilidades.
Já alguém reflectiu muito sobre o fenómeno das sincronicidades que se manifestam pelo aparecimento imprevisível ou inopinado de pensamentos, de actos, de factos ou de acontecimentos, ou ainda pela repetição de situações que, situando-se em planos e realidades diferentes, não tinham «nenhuma razão» para se encontrarem nem nenhuma probabilidade estatística de surgirem naquele momento e naquele lugar.
É característico da sincronicidade produzir um sentido ou uma nova energia que permite uma troca de olhares, suscita uma atenção diferente, provoca uma interrogação, uma reflexão ou uma investigação numa certa direcção e revela, para além das aparências, possibilidades e previsões, aspectos jamais suspeitos da existência. Como dois seres que do nada se encontram, e na movimentação banal de seus rostos, olhares desconhecidos que se encaixam na filosofia perfeita, como o simples sobrepor de posições da lua e sol , a que chamamos ECLIPSE.
Não há duvida que o acaso tem das suas. Feliz de quem partilha cada momento contigo. Foi incrivel estar a ler os teus textos e surgir mais um novo que me tocou particularmente. Pois por vezes, desvalorizamos essa troca de olhar, por coisas banais sem sentido ou significado. É necessáro por vezes, pensadores como tu, chamar-nos a atenção e alertar-nos para o mais infimo sinal de consquista. Obrigada.
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